@DaniloGentili: Agora no TeleCine KingKong, um macaco q depois q vai p/ cidade e fica famoso pega 1 loira. Quem ele acha q e? Jogador de futebol?

@DaniloGentili: Alguem pode me dar 1 explicacao razoavel pq posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa mas nunca um negro de macaco?

@DaniloGentili: Reparem: na piada do KingKong nao disse a cor do jogador. Disse q loira saiu c/ cara pq e famoso. A cabeca de vcs q tem preconceito hein

@RafinhaBastos: O @DaniloGentili fez piada de preto e o @LaPena ñ gostou. Devo parar de rir das piadas velhas de gaúcho q o Casseta faz?

@BrunoMotta: Sou fã do Helio(Casseta), mas e VCS? Quem acha q ele tá podendo ou não dizer q a piada do Danilo é ruim? – Link do post do @LaPena aqui.

- MP investiga se declaração de Danilo Gentili foi racista.

- MP vai apurar suspeita de racismo de Danilo Gentili no Twitter.

- Humorista do ‘CQC’ será investigado por possível crime de racismo.

@MauMeirelles: Como assim o Sarney ta impune, solto, depois de mil acusações e o @DaniloGentili acusado de racismo por um comentário??????

@DaniloGentili: Essas do ALMANAQUE CASSETA POPULAR – Nº2, não incomodarão ninguém, pois não falam de futebolistas ou KingKong: http://twitpic.com/c2sd9

Pra quem nao tem nada pra fazer ou quer ler mais 2 textos mto bons sobre racismo, clica no

UM POST RACISTA

As pessoas que separam cachorros por raças fazem isso porque acreditam que uma raça vale mais que a outra. Eles acreditam mesmo nisso. Ganham dinheiro com isso. Movimentam um mercado. Dividir uma espécie por raças nada mais é do que racismo.

Sinceramente acredito que todo cachorro é cachorro e que toda pessoa é pessoa. E dentro disso não entendo como alguém que morde seu sapato, encoxa sua perna e caga no seu tapete pode ser considerado o melhor amigo do homem.

Se você me disser que é da raça negra preciso dizer que você tambem é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças. E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra. Pois se todas raças são iguais então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo?

Quem propagou a idéia que “negro” é uma raça foram os escravistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: “Podemos trata-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra”. Então quando vejo um cara dizendo que tem orgulho em ser da raça negra eu juro que nem me passa pela cabeça chama-lo de macaco. E sim de burro.

Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de viado e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados.

Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando:
- O macaco é o pior de todos. Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos.

Prefiro ser chamado de macaco do que de girafa. Peça para um cientista fazer um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota.

Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco?

Se o assunto é cor eu defendo a idéia que o mundo é uma caixa de lápis coloridos. Somos os lápis dessa caixa. Um lápis é menos lápis que o outro só porque a cor é diferente? Eu desenho desde criança, então acredite em mim: Não mesmo. Todas essas cores são de igual importância. Ok. Ok. Foi uma comparação idiota. Confesso. Os lápis são todos do mesmo tamanho na caixa. E no mundo real o lápis preto é bem maior que o amarelo.

Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo “preto” pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: “Branco, Amarelo, Vermelho, Negro”?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes.

Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: “E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!”. Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer “Desculpe meu querido, mas já que é um afro-descendente é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!” sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas, afinal eu usei os termos politicamentes corretos e não a palavra “preto” ou “macaco”, que são palavras tão horríveis.

Os politicamentes corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite. Isso é racismo, pois transmite a idéia de superioridade que essas pessoas sentem de si em relação aos seus “defendidos”.

Agora peço que não sejam racistas comigo por favor. Nao é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade sou ítalo-descente. Italianos não escravizaram africanos no Brasil. Vieram pra cá e assim como os pretos trabalharam na lavoura. A diferença é que Escrava Isaura fez mais sucesso que Terra Nostra.

Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mal gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano e sim da sociedade dominante. Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos.

Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos podem nunca terem escravizados os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia.

Se é engraçado piada de gay e gordo, porque não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café-com-leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém mais velho com o chicote.

Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo “negro” ou “afro-descendente”, tudo bem, eu posso fazer isso só pra agradar. Na minha cabeça você será apenas preto e eu branco, da mesma raça, a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita “100% humano”, pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça que discute coisas idiotas de uma forma superficial e discrimina o próprio irmão.

OBS: Antes que diga “Não devemos fazer piadas com negros, nem com gordos, nem com gays, nem com ninguém” Te digo: “Pode colocar meu nome aí nas páginas brancas da sua lista negra, mas te acho chato pra caralho”.

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PARE DE SE LEVAR TÃO A SÉRIO.

Hoje em dia estamos vivendo a era do politicamente correto. Do cuidado com o que fala, do cuidado com o que escreve, do “vamos todos ficar certinhos e dar exemplo”. Não sei quando isso começou a virar regra, só sei que desde então o mundo ficou muito chato. Tão chato que pra essa opinião aqui resolvi reler o texto inteiro umas 5 vezes pra não ser mal interpretado.

Sim, pessoas adoram interpretar coisas erroneamente. Parece ser mais fácil criar novos significados maliciosos do que apenas ser literal na mensagem. Peraí, vamos entender melhor: politicamente correto é quando você tenta minuciosamente encontrar brechas pra ferrar alguém? Contraditório, né? Ou seja, ser politicamente correto é deixar a polêmica sempre ganhar do bom senso.

Aliás, esse termo já começa errado. Num país onde os políticos roubam descaradamente, fica difícil associar essa palavra a algo correto. Talvez por isso ninguém entenda o termo muito bem e apenas o sai executando. Afinal, o intuito é só achar polêmica, lembra?

Falo isso porque recentemente o Danilo Gentili, amigo meu e humorista, fez um comentário que teve “interpretações” racistas. Não vim aqui avaliar o teor da frase – que na minha opinião não foi nada maliciosa – mas sim comentar a consequência que isso gerou.

Sei que é assunto delicado brincar com raças. Tenho total noção do quanto isso representa para a história de um povo. Mesmo que o Danilo não tenha feito isso, citar uma raça numa frase já é motivo pros politicamente corretos de plantão ficarem alertas, procurando as suas brechinhas. Gostaria muito de viver num mundo em que os negros não tivessem sofrido tanto. Assim viveríamos num mundo igual. Inclusive nas brincadeiras. Mas isso não dá pra mudar.

Assim como não dá pra mudar o fato das mulheres terem sofrido tanto para atingir o merecido lugar que hoje estão. Portanto, também não mereceriam brincadeiras, certo?
Se você ri quando alguém brinca que MULHER não sabe dirigir e adere ao politicamente correto, então você é hipócrita. Pra ficar mais “correto” , vamos parar de brincar com Mulheres também. Elas também sofreram muito.

Gays então nem se fala. Não se brinca com uma comunidade que luta até hoje para conquistar seus direitos. Mas e se essa brincadeira serve para agregar todos ainda mais ? Não importa, é proibido.

Religião? Tá maluco? Qualquer menção a judeu e você vai preso. Aliás, escreveu judeu na frase acima, já é motivo pra processo. Então vamos evitar.

Brincar com características físicas? Não, isso é brincar com a diferença das pessoas. Se você brinca que seu amigo é narigudo e adere ao politicamente correto, então você é hipócrita. Mesmo que você seja gordo e esteja esperando uma resposta divertida? Não pode. Evite.

Sobrou brincar com o quê? Regionalismos? Não, o nordeste é sofrido também. Ahh, piada de gaúcho? Tá maluco, eles sofreram com a Revolução Farroupilha. Mineiro? Não se brinca com alguém que participou da Inconfidência. Vamos brincar com os cariocas?? Esquece, eles sofreram muito com os portugueses no final do século passado.

Pôxa, então vamos brincar com os portugueses. Hmmmmm… melhor não. Eles sofreram preconceito como colônia aqui no Brasil. Sem falar que na Europa, milhares morreram nas mãos dos franceses.

Esquece regionalismo. Vamo brincar com o futebol, que é paixão nacional. Mas com cuidado. Se ganharmos a Copa não podemos fazer chacota, por exemplo, com os franceses. Eles tiveram muitos problemas no passado com os ingleses…muitos morreram, melhor não brincar.

Vamos brincar então com as crônicas do dia. Falar de relacionamentos? Que tal? Hmmm, se bem que pega mal falar sobre isso numa época em que 76% dos casamentos acabam em divórcio. Acaba sendo um tema chato, né?

Celebridades? Não, expõe demais ao ridículo.

Políticos? Não se brinca com coisa “séria”.

Vamo fazer piada de papagaio? Não, eles sofreram com o Ibama.

Piadas com ninjas? Não, a associação de ninjas do Brasil pode reclamar.

Mesas? Cadeiras? Posto de gasolina? Médicos? Trânsito? Ursos? Lixeiros? Não, alguém pode acabar saindo ofendido.

Então pra não ter mais problema, que tal evitar brincar com a vida? A gente poderia se levar cada vez mais a sério. Rir menos, se divertir menos, dividir menos mesas em bares. Por um lado seria mais “politicamente correto”, mas por outro a gente ia começar a sofrer pra caramba.

Ps: Facilitei a vida dos politicamente corretos de plantão e já destaquei os termos que poderiam gerar polêmica.